Evangelho (Mc 3,13-19): Jesus subiu a montanha e chamou os que ele quis; e foram a ele. Ele constituiu então doze, para que ficassem com ele e para que os enviasse a anunciar a Boa Nova, com o poder de expulsar os demônios. Eram: Simão (a quem deu o nome de Pedro); Tiago, o filho de Zebedeu, e João, seu irmão(aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”); e ainda André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu.
Sabe aqueles momentos da vida em que a gente sente que Deus está nos chamando para algo maior… mas, ao mesmo tempo, a gente não consegue explicar direito o que é? Não é necessariamente um “chamado para pregar no microfone” ou para fazer uma grande missão longe, mas um puxão no coração, como se Jesus estivesse dizendo: “Vem mais perto.”
A passagem de Marcos 3,13-19 tem exatamente esse clima. Ela é curta, mas carrega uma profundidade imensa. É um texto que mostra Jesus chamando pessoas comuns, formando um grupo, dando nomes, fazendo escolhas e plantando o início de algo que mudaria o mundo. E o mais bonito é: não parece um chamado distante e frio. Parece uma conversa. Parece um convite pessoal.
Então hoje eu quero caminhar com você por essa passagem como quem senta do seu lado e diz: “Vamos olhar isso com calma?” Sem pressa. Sem dúvida. Sem desconfiança. Porque fé não é um teste para provar que você é “bom o suficiente”. Fé é um lugar de encontro. E esse texto é sobre encontro.
Jesus sobe o monte… e isso não é por acaso
Marcos começa assim:
Jesus “subiu ao monte e chamou os que ele quis.”
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Percebe como isso já diz muito? Ele sobe ao monte. Monte, na Bíblia, quase sempre é símbolo de um lugar de encontro com Deus, um lugar de “altura espiritual”, um lugar onde as decisões importantes são tomadas. Não porque Deus só esteja lá em cima, mas porque o monte representa esse movimento de separar um tempo, um espaço, um coração: “Agora eu vou prestar atenção.”
É como se Jesus estivesse criando um ambiente onde o que acontece ali tem um peso diferente.
E aqui tem uma lição linda pra nós: Deus não faz as coisas de qualquer jeito. Jesus escolhe o monte como quem diz: “Isso é importante.” E se você está lendo esse texto hoje, talvez esse seja um sinal de que, no meio do seu dia comum, Jesus também está criando um “monte” para você. Um lugar de escuta. Um lugar de reposicionamento.
E a melhor parte é que o monte não precisa ser físico. Às vezes o monte é aquele momento em que você para tudo por dois minutos e diz: “Jesus, eu tô aqui.”
“Chamou os que Ele quis”: isso fala sobre amor, não sobre mérito
Aqui vem uma frase que pode aquecer demais o coração:
Ele chamou os que Ele quis.
Isso é muito forte, porque desmonta aquela ideia de que Jesus só chama os “perfeitos”, os “prontos”, os “capazes”, os “sem falhas”. Não. O texto não diz “os mais preparados”. Não diz “os mais santos”. Diz: os que Ele quis.
Isso fala de soberania, sim… mas fala principalmente de amor.
Porque quando alguém te escolhe por vontade própria, quando não existe troca, quando não existe uma exigência por trás… isso é amor. E Jesus é assim. Ele chama porque quer. Ele chama porque ama. Ele chama porque enxerga em você coisas que você nem consegue ver ainda.
Se hoje você já caminhou com Jesus há anos, ou se você ainda está aprendendo a caminhar com Ele agora… essa frase vale igual: Jesus te chama porque Ele quis.
Você não está no Reino por acaso. Você não está de pé por coincidência. Você está aqui porque o coração de Jesus decidiu te querer perto.
E isso é muito seguro. Isso consola. Isso fortalece.
“Eles foram até Ele”: quando Jesus chama, Ele também atrai
O texto continua dizendo que os chamados foram até Ele.
Isso parece simples, mas é um detalhe precioso. Porque mostra que o chamado de Jesus não é apenas uma ordem. É uma atração.
Sabe quando você sente no seu íntimo: “Eu preciso orar… eu preciso estar com Deus… eu preciso voltar”? Isso não é só disciplina. Muitas vezes, é Jesus te puxando com carinho.
E isso é tão verdadeiro que, às vezes, você nem sabe explicar. Você só sente.
Essa ida até Ele é o movimento da fé. Não precisa ser uma fé “gigante”, não precisa ser uma fé perfeita, mas é uma fé que dá um passo.
E eu te digo uma coisa com toda a sinceridade: Jesus honra passos pequenos.
Um passo sincero vale muito.
Talvez o seu “ir até Ele” hoje seja:
-
retomar uma oração simples
-
pedir perdão por algo que te pesa
-
voltar a ler a Bíblia com calma
-
recomeçar, mesmo cansado
-
confiar outra vez, mesmo com cicatrizes
Jesus não despreza esse tipo de movimento. Pelo contrário: Ele recebe.
Jesus forma um grupo: ninguém vive a fé sozinho
Marcos diz que Jesus constituiu doze.
Isso já mexe com a gente porque é uma declaração silenciosa de um princípio espiritual:
Jesus chama pessoas… mas Ele também forma comunhão.
Ele poderia fazer tudo sozinho? Claro que poderia. Ele é Deus. Mas Ele escolheu trabalhar com gente. Escolheu caminhar com um grupo. Escolheu construir uma comunidade.
Isso é tão atual que chega a ser impressionante.
Porque tem dias em que a gente tenta viver a fé no modo “isolado”, no modo “só eu e Deus”, no modo “eu me resolvo sozinho”. E tem um lado bonito nisso — sim, existe um lugar secreto com Deus que é só seu.
Mas existe outra verdade igualmente poderosa: Deus nos cura e nos fortalece no meio do corpo.
Os doze não foram apenas “funcionários espirituais”. Eles foram família em formação. Foram discípulos que aprenderiam juntos, errariam juntos, cresceriam juntos.
Então se você, em algum momento, se sentiu deslocado, cansado de pessoas, decepcionado, com vontade de se afastar de tudo… eu te entendo. Mas essa passagem lembra com delicadeza: Jesus ainda acredita em comunidade.
E Ele te coloca em caminhos onde você aprende a amar e a ser amado.
O primeiro propósito: “para que ficassem com Ele”
Agora aqui vem um dos trechos mais lindos dessa passagem.
Jesus chamou os doze “para que ficassem com Ele.”
Antes de qualquer missão. Antes de qualquer “faça”. Antes de qualquer “vá”. Antes de qualquer responsabilidade. O primeiro chamado foi: ficar com Jesus.
Isso é evangelho puro.
Porque Jesus não te chama primeiro para produzir. Jesus te chama para permanecer.
Isso muda tudo.
Se você já viveu fases em que se sentiu pressionado, como se sua vida com Deus dependesse de “render”, de “performar”, de “acertar”, de “dar conta”… esse versículo te dá um abraço e diz:
“Volta pro começo. Fica comigo.”
A fé começa no relacionamento. Não começa na exigência.
E ficar com Jesus não é uma ideia abstrata. É real.
Ficar com Ele é:
-
deixar a Palavra te alimentar
-
aprender a identificar a voz d’Ele
-
colocar o coração perto
-
criar intimidade
-
aprender o jeito d’Ele agir
-
deixar Ele tratar o que ninguém vê
Tem algo muito pessoal nisso. É como se Jesus dissesse:
“Antes de você fazer coisas por mim, deixa eu fazer coisas em você.”
O segundo propósito: “para enviá-los a pregar”
Depois que eles ficam com Ele, aí sim vem o envio: pregar.
E isso é tão perfeito. Porque Jesus não manda gente vazia. Ele envia gente cheia d’Ele.
Pregar aqui não significa apenas subir num púlpito. Pregar é comunicar o Reino. É ser um sinal vivo do amor de Deus.
Você prega quando:
-
escolhe perdoar
-
não revida o mal
-
levanta alguém caído
-
é honesto quando seria mais fácil mentir
-
ora por alguém em silêncio
-
fala de Jesus com naturalidade
-
ama sem fazer propaganda do amor
Isso é Reino.
Então, sim, existe um envio. Existe uma missão. Deus tem propósito. Mas repare na ordem:
primeiro presença, depois missão.
Primeiro intimidade, depois serviço.
E quando a gente respeita essa ordem, a fé não pesa. Ela flui.
Autoridade espiritual: “expulsar demônios”
O texto também diz que Jesus deu autoridade para expulsar demônios.
Isso mostra que o Reino de Deus não é só “uma filosofia bonitinha”. É poder real. É luz vencendo trevas. É Deus invadindo a história humana.
E eu sei que esse assunto, às vezes, pode assustar algumas pessoas, mas aqui eu quero trazer isso de um jeito claro e seguro:
Jesus não chama os discípulos para o medo. Ele chama para a vitória.
A autoridade vem d’Ele. Não é baseada na força humana. Não é baseada no carisma da pessoa. Não é baseada em “fórmulas”.
É autoridade de Cristo.
E isso é muito importante na nossa caminhada, porque há dias em que a batalha espiritual parece estar acontecendo dentro da gente:
-
pensamentos pesados
-
culpa insistente
-
tentação repetida
-
opressão emocional
-
desânimo sem motivo aparente
-
medo paralisante
Mas a boa notícia é que Jesus continua sendo o mesmo.
E se Ele chama, Ele também capacita.
Você não está sozinho. Você não está desprotegido. Você não está abandonado no meio das lutas.
Jesus chama pelo nome… e isso é extremamente íntimo
Marcos começa a listar os doze. E ele cita nomes: Simão, Tiago, João, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago (outro), Tadeu, Simão, Judas.
Isso pode parecer apenas uma “lista”, mas não é.
Na Bíblia, nomes importam. Nome é identidade. Nome é história. Nome é propósito.
E quando o Evangelho registra os nomes, ele está dizendo: Deus não trabalha com números. Ele trabalha com pessoas.
Jesus não chama “um grupo”. Ele chama pessoas específicas.
E se isso é verdade com eles, é verdade com você.
Jesus te conhece. Não só sabe seu nome, mas conhece seu coração, conhece sua caminhada, conhece suas marcas.
Tem coisa em você que ninguém percebe… e Jesus vê tudo.
E Ele não se afasta por causa disso. Ele se aproxima.
“Ele deu o nome de Boanerges”: Deus também redefine quem somos
Jesus chama Tiago e João de Boanerges, “filhos do trovão”.
Imagina isso. Ele olha para aqueles dois e identifica algo neles: intensidade, talvez impulsividade, força bruta, personalidade marcante.
Mas ao mesmo tempo, ao longo da história, a gente vê como Jesus vai moldando essas características. Ele não cancela a personalidade. Ele transforma.
Isso é maravilhoso porque mostra que Jesus não te chama para te apagar. Ele te chama para te lapidar.
Talvez você seja intenso. Talvez seja emotivo. Talvez seja ansioso. Talvez seja muito racional. Talvez seja explosivo. Talvez seja tímido. Talvez seja cheio de perguntas.
Jesus sabe. E Ele não se arrepende de te chamar.
Ele trabalha com o material que você tem — e faz dele algo lindo.
E Judas? Sim… Judas também está na lista
A passagem termina mencionando Judas Iscariotes, “aquele que depois o traiu”.
E isso sempre dá um aperto no peito, né?
Mas até isso nos ensina algo profundo: Jesus sabia que seria traído e, mesmo assim, caminhou em amor.
Isso não é fraqueza. Isso é força.
Porque o amor de Jesus não é ingênuo. É consciente. Ele ama sabendo. Ele se entrega sabendo. Ele permanece firme sabendo.
E aqui eu não quero que você leia isso com tristeza como se o mal tivesse vencido. Pelo contrário. Jesus transformou até a traição em parte do caminho da redenção.
O Reino não é frágil. Ele é eterno.
E se você já foi ferido por alguém, decepcionado, traído, machucado… Jesus não te olha de longe. Ele entende. Ele viveu isso. Ele sabe o que é ter o coração atravessado por injustiça.
E Ele te ensina a continuar, sem virar pedra por dentro.
O que essa passagem fala diretamente com você hoje?
Se eu tivesse que resumir Marcos 3,13-19 como uma mensagem viva, eu diria assim:
Jesus está te chamando para mais perto.
Não necessariamente para um palco, mas para presença. Para relacionamento. Para aprendizado diário.
E a partir desse lugar, Ele vai te enviar. Ele vai te usar. Ele vai te fortalecer. Ele vai te dar autoridade sobre aquilo que te assombra, te oprime ou tenta te calar.
Mas tudo começa com o primeiro propósito:
ficar com Ele.
Então, hoje, eu queria te fazer uma pergunta simples, bem de coração:
Você está conseguindo ficar com Jesus… ou só está tentando fazer coisas para Ele?
Porque se você voltar para a presença, você vai perceber que:
-
você não precisa carregar peso sozinho
-
você não precisa provar nada
-
você não precisa ser perfeito
-
você só precisa estar perto
E estar perto muda tudo.
Uma oração simples (se você quiser fazer agora)
Jesus, eu tô aqui.
Eu aceito o Teu convite.
Me ajuda a subir esse “monte” contigo, a silenciar o barulho e ficar na Tua presença.
Me chama de novo, me fortalece de novo, me envia quando for a hora.
Eu confio em Ti.
Amém.
Se você quiser, eu também posso escrever um devocional com aplicações práticas dessa passagem para 7 dias, bem no estilo “um dia de cada vez”.
Conteúdo criado com Assistência de Inteligência Artificial
