“Jesus disse aos seus discípulos: “O administrador de um homem rico foi acusado de estar desperdiçando os seus bens.
Então ele o chamou e lhe perguntou:
‘Que é isso que estou ouvindo a seu respeito? Preste contas da sua administração, porque você não pode continuar sendo o administrador’.
“O administrador disse a si mesmo: ‘Meu senhor está me despedindo. Que farei? Para cavar não tenho força, e tenho vergonha de mendigar…
Já sei o que vou fazer para que, quando perder o meu emprego aqui, as pessoas me recebam em suas casas’.
“Então chamou cada um dos devedores do seu senhor. Perguntou ao primeiro: ‘Quanto você deve ao meu senhor? ’
‘Cem potes de azeite’, respondeu ele.
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“O administrador lhe disse: ‘Tome a sua conta, sente-se depressa e escreva cinquenta’. “A seguir ele perguntou ao segundo:
‘E você, quanto deve? ’ ‘Cem tonéis de trigo’, respondeu ele. “Ele lhe disse: ‘Tome a sua conta e escreva oitenta’.
“O senhor elogiou o administrador desonesto, porque agiu astutamente. Pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato entre si do que os filhos da luz“.
Lucas 16:1-8
A Importância do Evangelho do Dia
Como cristãos, colocamos um alto valor na Palavra de Deus. É através da crença na Palavra de Deus que somos salvos (Rm 10;17). A Palavra de Deus então torna-se nosso guia para a vida em todas as circunstâncias, seja no emprego, na vida social ou até mesmo no círculo familiar. Nossa aspiração deve ser viver pela Palavra de Deus.
Inteligência do Reino: quando Jesus elogia a astúcia para nos despertar
Existem passagens do Evangelho que a gente lê e, na primeira reação, pensa: “Como assim?”. Esse Evangelho do Dia é exatamente assim. Jesus conta uma parábola sobre um administrador desonesto, que faz manobras para garantir o próprio futuro… e, de algum modo, acaba sendo elogiado por sua esperteza. É um texto que deixa muita gente desconfortável, porque parece que Jesus está aprovando um comportamento errado.
Mas não é isso. O que Jesus faz aqui é muito mais profundo: Ele usa uma história provocativa, quase escandalosa, para nos dar um choque de realidade. Ele pega um exemplo que ninguém esperaria e diz: “Olhem como esse homem se movimenta quando percebe que vai perder tudo. E vocês… quando se trata da vida eterna, do Reino de Deus, da sua alma… se movimentam com a mesma urgência?”
Essa passagem não é sobre santificar a corrupção. É sobre acordar um coração acomodado. Jesus não elogia a injustiça; Ele elogia a inteligência prática, a capacidade de agir com rapidez e estratégia quando a vida aperta. E a pergunta que fica é direta: por que a gente é tão criativo para as coisas do mundo, mas tão passivo para as coisas de Deus?
1) O ponto de partida: um homem que está prestes a cair
O personagem principal é um administrador. Ele cuida de bens que não são dele. Só que chega ao patrão a notícia de que ele está desperdiçando, administrando mal, talvez roubando, talvez sendo irresponsável. E o patrão decide demiti-lo.
Isso já é um retrato de algo muito humano: a vida tem momentos em que a realidade chega como um “aviso de demissão”. Pode ser uma crise, um susto, um diagnóstico, uma perda, um erro que vem à tona, uma consequência inevitável. De repente, você percebe: “Se eu continuar do jeito que estou, vou cair.”
E aqui existe uma chave espiritual muito importante: Deus permite que certos alertas nos alcancem, não para nos destruir, mas para nos despertar. Às vezes, a nossa conversão começa com uma sensação desconfortável: “Eu não posso mais viver assim.” O administrador sente isso. Ele percebe que o tempo acabou. E então ele faz o que muita gente não faz: ele age.
2) O momento decisivo: “O que farei?”
Quando ele descobre que vai perder o emprego, ele não entra em desespero paralisante. Ele pensa. Ele decide. Ele traça um plano. Ele olha para o próprio futuro e conclui: “Não tenho forças para cavar, tenho vergonha de mendigar. Preciso arrumar outra forma.”
Aqui está o ponto mais educativo da parábola: ele enfrenta a realidade sem fantasia.
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Ele reconhece suas limitações.
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Ele reconhece que está em risco.
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Ele reconhece que precisa de uma solução.
Agora aplique isso à vida espiritual. Quantas vezes nós fazemos o contrário?
A gente vive como se tivesse tempo infinito. A gente vai empurrando Deus para depois. A gente adia o perdão, adia a confissão, adia a mudança de vida, adia pedir ajuda, adia a decisão de cortar o pecado. A gente diz: “Amanhã eu vejo.” E o Evangelho vem e nos pergunta: o que você fará?
Não para nos assustar, mas para nos tornar conscientes: a vida é um dom, e um dom pede resposta.
3) A “jogada” do administrador: astúcia para garantir o futuro
O administrador, então, chama os devedores do patrão e negocia as dívidas. Ele reduz os valores, faz acordos rápidos e, com isso, cria uma rede de pessoas que ficarão “em dívida” com ele no sentido de gratidão. O objetivo dele é simples: quando ele perder o cargo, terá casas onde será acolhido.
Ou seja, ele usa o pouco tempo que tem para transformar uma situação de queda em uma possibilidade de sobrevivência.
Isso é a tal astúcia: ele enxerga o que está acontecendo, entende o jogo e se move antes que seja tarde.
A parábola, portanto, nos diz que há uma inteligência que precisa existir também na fé. Não aquela inteligência arrogante de “se achar melhor”, mas a inteligência espiritual que sabe:
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o que realmente importa,
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o que realmente está em jogo,
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e o que precisa ser feito hoje.
4) O elogio que incomoda: por que Jesus elogia?
O patrão elogia o administrador por agir com esperteza. Jesus, então, faz a conclusão: os “filhos deste mundo” são mais espertos para seus negócios do que os “filhos da luz” são para as coisas de Deus.
Isso é uma crítica direta à nossa lentidão espiritual. E é aqui que o Evangelho dá um tapa suave, porém firme.
Pensa comigo: quantas horas a gente investe planejando carreira, dinheiro, corpo, estética, viagens, objetivos… e quantas horas investe planejando santidade?
Muita gente tem estratégia para tudo, menos para a alma. A gente tem agenda para reuniões, mas não tem agenda para oração. A gente tem meta de faturamento, mas não tem meta de caridade. A gente tem disciplina para academia, mas não tem disciplina para o Evangelho. A gente tem urgência para responder e-mail, mas não tem urgência para responder a Deus.
Jesus não está dizendo “seja desonesto”. Ele está dizendo: seja inteligente e decidido para o Reino.
5) Astúcia no Evangelho não é malícia: é sabedoria com ação
No nosso português, “esperteza” pode soar como trapaça. Mas aqui o sentido é outro: é a capacidade de agir com clareza diante do tempo e das consequências.
Astúcia evangélica é:
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perceber onde você está errando,
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cortar o caminho que te destrói,
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criar oportunidades para o bem,
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construir pontes de misericórdia,
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aproveitar o hoje para semear o eterno.
É usar a mesma energia que você usa para sobreviver aqui… para viver para sempre.
6) O que essa parábola revela sobre nós?
Essa história expõe algumas coisas que muita gente não gosta de admitir:
1. A gente adia decisões espirituais.
Você sabe o que precisa mudar, mas empurra. Você sabe que precisa voltar, mas espera uma “motivação”.
2. A gente não gosta de pensar no fim.
Mas o fim não é tragédia: é direção. Quando você lembra que a vida passa, você começa a escolher melhor.
3. A gente não entende o valor do tempo.
O administrador usa o tempo curto como oportunidade. Nós, muitas vezes, usamos o tempo como desculpa: “Estou sem tempo”.
4. A gente não cria estratégias para o bem.
Muitas pessoas têm uma habilidade enorme para arquitetar pecados, desculpas e fugas… mas têm pouca criatividade para construir virtudes.
Jesus conta essa parábola para virar essa chave dentro de nós.
7) O Reino precisa de gente esperta — no sentido santo da palavra
Existe uma santidade “ingênua” que não é virtude, é falta de maturidade. Jesus quer discípulos com coração puro, sim, mas também com olhos abertos.
Gente que entende que o pecado não se combate só com boa intenção. Se combate com decisão, disciplina, estratégia e humildade.
Quer exemplos práticos dessa “astúcia do bem”?
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Se você cai sempre no mesmo pecado, mude a rota: corte ocasiões, silencie estímulos, faça acordos consigo mesmo.
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Se você sabe que se esfria quando não reza, coloque a oração em um horário fixo, como quem marca um compromisso inadiável.
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Se você é explosivo, aprenda a pausar: respira, sai do ambiente, conta até dez, reza antes de responder.
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Se você sabe que se sente vazio, procure companhia espiritual: direção, comunidade, confessionário, grupo, alguém que caminhe com você.
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Se você está distante de Deus, dê o primeiro passo hoje, não quando “sentir vontade”.
Astúcia santa é isso: saber como você funciona e usar esse conhecimento para se aproximar de Deus, e não para justificar o afastamento.
8) O Evangelho também fala sobre dinheiro (e sobre o coração)
Mesmo sem citarmos a passagem, é impossível ignorar que a parábola acontece dentro do universo das posses e das dívidas. E isso tem um significado forte: o dinheiro é um lugar onde o coração se revela.
Para Jesus, o problema nunca foi o dinheiro em si. O problema é quando ele se torna senhor, quando ele vira ídolo, quando ele te governa. A parábola mostra que bens deste mundo podem ser usados com inteligência… e Jesus quer que nós usemos os bens deste mundo para um objetivo maior: o Reino.
Ou seja: tudo o que você tem — tempo, recursos, influência, profissão, talentos — pode ser uma ponte para a eternidade.
Não é para viver com medo. É para viver com propósito.
9) O choque final: a pergunta que fica para nós
O administrador agiu rapidamente porque tinha medo do futuro. E a gente? A gente age com a mesma rapidez para aquilo que realmente importa?
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Você tem um plano espiritual?
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Você tem constância?
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Você sabe quais são seus pontos de queda?
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Você sabe quais são os ambientes que te afastam de Deus?
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Você tem estratégias para fortalecer sua fé?
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Você sabe que virtudes precisa construir nos próximos meses?
Se a resposta é “não”, o Evangelho está te dando hoje um presente: um chamado para acordar, para organizar, para decidir.
E não é para fazer isso com desespero, mas com esperança. Porque diferente do administrador injusto, nós temos algo que ele não tinha: a graça.
A graça de Deus não só nos dá um futuro; ela nos dá força para viver de um jeito novo.
10) Como viver esse Evangelho na prática: 5 passos simples
Aqui vão cinco atitudes bem concretas, no espírito dessa parábola:
1. Faça um exame de consciência sincero.
Sem teatro, sem desculpa, sem vitimismo. Olhe para sua vida e reconheça onde você está desperdiçando.
2. Tome uma decisão específica.
Não “vou melhorar”. Mas: “Vou rezar 10 minutos todos os dias”, “Vou confessar essa semana”, “Vou perdoar tal pessoa”, “Vou parar com tal hábito”.
3. Use o que você tem para o bem.
Seu dinheiro, sua influência, seu tempo, sua profissão — tudo pode ser instrumento de misericórdia.
4. Crie um sistema que te ajude.
Alarme, rotina, lembrete, acompanhamento. A fé precisa de estrutura, porque a vida é cheia de distrações.
5. Lembre-se de que o futuro já começou.
O Reino de Deus não é só “depois da morte”. Ele começa quando você decide viver com Deus hoje.
11) A mensagem central: Deus quer nos ver despertos
A provocação de Jesus é amorosa. Ele vê discípulos dormindo no conforto, na comodidade, na procrastinação espiritual, e diz: “Olhem como o mundo corre pelo mundo. Agora corram vocês pelo céu.”
Esse Evangelho é um chamado à maturidade. Deus não quer só gente boa; Ele quer gente decidida. Deus não quer só emoção; Ele quer fidelidade. Deus não quer só intenções; Ele quer compromisso.
E tudo isso é possível porque Deus não pede algo sem oferecer o necessário. Ele pede decisão… e dá graça. Ele pede constância… e dá força. Ele pede coragem… e dá o Espírito Santo.
Que hoje você ouça esse Evangelho como um convite: seja inteligente para o bem. Planeje sua santidade. Trate a vida espiritual com seriedade. Não por medo, mas por amor. Porque quem entende o valor do Reino não vive de qualquer jeito.
E, no fim, essa parábola nos deixa com uma frase silenciosa, que ecoa dentro do coração: “O que farei?”
Que a sua resposta seja: “Eu vou viver para Deus, com inteligência e com decisão.”
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