“E Chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles.
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E ele lhes propôs esta parábola, dizendo:
Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e vai após a perdida até que venha a achá-la?
E achando-a, a põe sobre os seus ombros, jubiloso;
E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.
Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar?
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E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida.
Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende“.
Lucas 15:1-10
A Importância do Evangelho do Dia
Como cristãos, colocamos um alto valor na Palavra de Deus. É através da crença na Palavra de Deus que somos salvos (Rm 10;17). A Palavra de Deus então torna-se nosso guia para a vida em todas as circunstâncias, seja no emprego, na vida social ou até mesmo no círculo familiar. Nossa aspiração deve ser viver pela Palavra de Deus.
Alegria que Procura: quando Deus vai atrás do que se perdeu
Há passagens do Evangelho que parecem simples à primeira leitura, mas que, quanto mais a gente aproxima o ouvido do coração, mais percebe que ali existe um mundo inteiro de sentido. A cena é cotidiana: gente comum, com fome de esperança, se aproxima de Jesus. E, ao mesmo tempo, gente religiosa, acostumada a “medir” quem merece e quem não merece, observa com desconfiança. O choque entre esses dois grupos revela um tema que atravessa toda a vida cristã: como Deus olha para o pecador e como nós olhamos para ele.
Neste Evangelho do Dia, Jesus responde a uma crítica com uma catequese que não é feita de regras, mas de histórias. Ele não entra numa discussão teórica, não abre um debate moralista, nem tenta “ganhar” no argumento. Em vez disso, Ele conta duas parábolas curtas e poderosas: a ovelha perdida e a moeda perdida. Em ambas, o ponto central não é a perda em si, mas a busca. O que define Deus não é o julgamento imediato, mas o movimento de procura, o amor que se levanta e vai atrás.
E quando encontra, não faz uma festa silenciosa. Deus não apenas “tolera” o retorno; Ele celebra. Há alegria no céu quando um coração se volta, quando uma vida se reorganiza, quando alguém se permite ser encontrado. É uma alegria escandalosa para os olhos frios de quem vive de comparação, mas profundamente libertadora para quem carrega culpa, medo ou cansaço.
1) O coração do Evangelho: um Deus que se aproxima
A primeira coisa que salta aos olhos é a postura de Jesus. Ele não espera que as pessoas se tornem perfeitas para então recebê-las. Ele acolhe antes, conversa, come, escuta. E isso incomoda os que se consideram “certos”. A crítica não é apenas: “Ele fala com pecadores”, mas principalmente: “Ele os recebe e come com eles.” Ou seja: Ele cria intimidade.
Na cultura bíblica, comer junto é sinal de comunhão e aceitação. Não é um gesto neutro. Jesus está dizendo, na prática: “Vocês não estão fora do amor de Deus.” E isso mexe com estruturas, porque muitos vivem sustentados por uma teologia do merecimento: “Deus ama os bons, rejeita os maus.” Só que Jesus revela outra lógica: Deus ama e, por amar, transforma.
É aqui que a passagem nos confronta: quantas vezes a gente se aproxima de Deus achando que precisa se “arrumar” totalmente primeiro? Quantas vezes a gente acredita que só será aceito quando estiver impecável? O Evangelho mostra que o caminho é o inverso: é o encontro com Cristo que nos coloca de pé. A conversão nasce do abraço, não da humilhação.
2) A ovelha perdida: o valor de um
Jesus conta a história do pastor que tem cem ovelhas e perde uma. Ele não aceita a perda como inevitável. Ele se levanta e vai atrás. Para muitos, isso parece um exagero: deixar noventa e nove no deserto para buscar uma? Mas o exagero é proposital. Jesus quer mostrar que o amor de Deus não calcula do jeito que a gente calcula.
A lógica humana diz: “Noventa e nove já é muito bom. Uma não faz tanta diferença.”
A lógica divina diz: “Uma faz toda a diferença.”
E aqui há uma verdade que toca fundo: para Deus, você não é uma estatística, nem “mais um” no meio de muitos. Você tem nome, história, feridas, desejos, e Deus não se conforma em perder você. Não porque Ele precisa de você para ser Deus, mas porque Ele ama de verdade, e quem ama não relaxa diante da ausência.
A imagem é linda: o pastor encontra a ovelha e a coloca nos ombros, com alegria. Ele não a arrasta, não a castiga, não dá sermão durante o caminho. Ele carrega. Isso significa que, quando a pessoa está fraca, confusa, cansada, sem forças para voltar… Deus não exige performance. Deus carrega. O amor de Deus é, muitas vezes, um colo silencioso que nos traz de volta para casa.
E depois vem a festa: o pastor chama amigos e vizinhos para se alegrar com ele. Ou seja: o resgate de uma pessoa não é um evento privado entre Deus e o pecador. É um acontecimento comunitário. O céu inteiro entra em alegria. A Igreja deveria ser esse lugar: não um tribunal que coleciona condenações, mas uma casa que celebra recomeços.
3) Conversão: mais do que culpa, é retorno de sentido
Quando Jesus fala da alegria no céu por causa de um pecador que se converte, é importante entender o que “conversão” significa. Não é simplesmente sentir culpa. Culpa pode ser apenas peso. Conversão é mais profundo: é mudança de direção, é voltar ao caminho, é reencontrar o sentido.
Muita gente vive perdida sem perceber. Não necessariamente por cometer grandes pecados visíveis, mas por viver longe de si mesma, longe do bem, longe da verdade. Pode ser uma vida ocupada demais, um coração endurecido, uma fé esquecida, uma rotina que sufoca. A pessoa vai se afastando em pequenas escolhas. Quando percebe, já está longe.
A conversão, então, é como voltar para casa. É permitir que Deus nos encontre e nos reorganize. É dizer: “Eu não quero mais caminhar sem rumo.” É recuperar o centro. E isso é motivo de alegria não porque Deus finalmente “vence” a pessoa, mas porque a pessoa finalmente respira de novo, volta a viver como foi criada para viver.
4) A moeda perdida: Deus também procura no silêncio
A segunda parábola muda o cenário: agora não é um pastor no campo, mas uma mulher em casa. E ela perde uma moeda de valor. Então acende uma lâmpada, varre a casa, procura com cuidado até encontrar.
Essa imagem é poderosa por dois motivos:
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A perda acontece dentro de casa.
Às vezes, a pessoa não está “fora” da Igreja, não está “longe” da religião, está por perto, talvez até frequente, mas está perdida por dentro. Está desanimada, sem alegria, sem oração viva, sem esperança. Está na casa, mas desconectada. -
A busca é detalhada e paciente.
Deus não procura de qualquer jeito. Ele acende luz, mexe nos cantos, varre a poeira. Isso pode ser entendido como o modo como Deus ilumina nossa consciência, como Ele mexe em nossas memórias, como Ele nos mostra aquilo que estava escondido. Às vezes, a pessoa se encontra justamente quando Deus “varre” certos lugares do coração: lembranças, feridas, padrões, vícios, medos.
A moeda não tem pernas. Ela não volta sozinha. Isso ensina algo importante: há momentos em que a pessoa está tão apagada, tão sem forças, que não consegue “dar o primeiro passo”. E, mesmo assim, Deus a procura. A graça vem primeiro.
E quando encontra, a mulher também chama as amigas para celebrar. O Evangelho insiste: a alegria é parte da salvação. Não é um detalhe. Se não há alegria, algo está faltando. Porque a experiência de ser encontrado muda a forma como a gente olha para si mesmo.
5) O escândalo da misericórdia: o céu se alegra com quem a gente rejeita
Talvez a parte mais provocadora do Evangelho seja esta: Jesus não está falando de uma alegria genérica. Ele fala de alegria por um pecador que se converte. Ou seja: Deus se alegra especialmente quando a misericórdia vence o abismo.
Isso incomoda porque nos expõe. A gente, muitas vezes, gosta de ver “o outro” pagando pelos erros. A gente se conforta com a ideia de que existe alguém pior. A gente se sente mais santo quando compara. Mas Jesus desmonta isso. Ele coloca o foco não no orgulho dos que ficaram, mas no amor de Deus por quem se perdeu.
E aqui surge uma pergunta sincera: eu me alegro quando alguém volta?
Ou eu fico desconfiado, julgando, lembrando do passado, insinuando que é falso?
A misericórdia não é ingênua. Ela não ignora a verdade. Mas ela escolhe não reduzir uma pessoa ao pior momento da. Ela escolhe dar chance. Ela escolhe acreditar no poder de Deus de reconstruir. O céu se alegra… e nós?
6) O Evangelho como espelho: onde eu estou nessas parábolas?
Essa passagem é um convite para a gente se identificar com personagens diferentes:
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Às vezes, somos a ovelha perdida: vivendo confusos, longe, tentando nos virar sozinhos, feridos. Precisamos permitir que Deus nos encontre e nos carregue.
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Às vezes, somos a moeda perdida: não necessariamente distantes, mas apagados por dentro, sem brilho, esquecidos no canto da casa.
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Às vezes, somos o pastor ou a mulher: chamados a procurar os outros, a não desistir, a ter paciência, a acreditar que vale a pena.
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Às vezes, somos os críticos: aqueles que olham com desprezo e acham errado acolher, aqueles que confundem santidade com distância de quem sofre.
O Evangelho nos convida a escolher um lado: o lado do Cristo que acolhe, não o lado da religião que exclui.
7) Aplicação prática: como viver essa Palavra hoje?
Essa passagem não foi escrita apenas para nos emocionar, mas para transformar nosso jeito de viver. Aqui vão algumas formas bem concretas de colocá-la em prática:
1. Volte para Deus com sinceridade, não com perfeccionismo.
Deus não espera que você chegue pronto. Ele espera que você chegue verdadeiro.
2. Procure quem você tem deixado para trás.
Pode ser alguém da família, um amigo afastado, alguém que caiu, alguém que você julgou. Às vezes, um simples “como você está?” é o início de uma volta.
3. Pare de medir pessoas pelo passado.
Se Deus acredita em recomeço, quem somos nós para decretar que alguém não muda?
4. Celebre as pequenas conversões.
A pessoa que voltou a rezar. A pessoa que pediu perdão. A pessoa que decidiu tentar de novo. Isso é motivo de festa.
5. Peça a Deus um coração parecido com o Dele.
Um coração que se move, que busca, que não desiste fácil, que não perde a ternura.
8) A grande mensagem: Deus não perde ninguém por descuido
No fundo, esse Evangelho diz algo que a gente precisa ouvir muitas vezes: Deus não nos perde por distração. Quando a gente se perde, Ele já está vindo atrás. E quando nos encontra, não nos humilha; Ele nos ergue.
Se você hoje se sente distante, esse Evangelho é um abraço.
Se você se sente culpado, esse Evangelho é um recomeço.
Se você se sente vazio, esse Evangelho é uma luz acesa dentro da casa.
Se você se sente duro com os outros, esse Evangelho é um convite à misericórdia.
A alegria no céu não é uma metáfora bonita para enfeitar a história. É uma realidade espiritual: Deus se alegra com você. Deus celebra cada passo de volta, cada pedido de perdão, cada noite em que você escolhe levantar de novo.
E talvez o maior milagre dessas parábolas seja este: o Senhor não se conforma com a perda. Ele não diz “paciência”. Ele diz: “Eu vou procurar.”
Que essa Palavra nos dê coragem de nos deixar encontrar. E, ao mesmo tempo, nos dê um coração que também procura, acolhe e celebra. Porque, no Reino de Deus, a santidade não é distância do pecador — é amor que vai ao encontro.
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