Denominações “nunca vão substituir o propósito do Reino de Deus”, ensina missionário

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Todo cristão tem como dever fazer missões, mas essa tarefa é bem diferente quando vista na prática e não apenas na teoria. O missionário Saulo Porto, diretor de ensino da Missão Mãos Estendidas (MME). Falou um pouco da sua experiência e como isso lhe fez abrir os olhos sobre a importância de um trabalho voltado para o Reino de Deus e não para denominações.

“Muita coisa que aprendemos no seminário vão ser paradigmas que, à medida que você vai caminhando na prática. Você vai aprendendo coisas que o seminário não ensinou”, disse Saulo.

O missionário criticou a forma como alguns seminários focam o ensino no viés doutrinário de uma denominação específica. Desconsiderando aspectos abrangentes do Reino de Deus que são comuns à fé cristã. Uma necessidade que, segundo ele, é mais perceptível através da prática evangelística.

“Muitas vezes, os seminários têm treinado pessoas para serem obreiros de denominações específicas. Isso é importante, mas tem suas limitações; porque no contexto de nação, precisamos ter uma visão além da visão denominacional. Eu acho que esse talvez seja o modelo de Jesus, porque você não observa Jesus desenvolvendo uma denominação específica”, disse ele.

Denominações “nunca vão substituir o propósito do Reino de Deus”, ensina missionário

O denominacionalismo não é errado, é apenas uma denominação

“O denominacionalismo não é errado, é apenas uma denominação. Mas quando ele se torna a motivação do ministério, nós estamos dando um propósito passageiro para uma coisa que deveria ser eterna. Porque um dia as denominações vão deixar de existir, mas o Reino permanece para sempre.”, completa Saulo, segundo o Guiame.

Outro aspecto importante apontado pelo missionário foi o tipo de visão que o mundo tem da África. Por ser um continente marcado pela pobreza, muitos se preocupam apenas com a condição material dos africanos, que é passageira, minimizando a necessidade de uma revolução espiritual que aponta para a vida eterna.

“Existe em África uma enxurrada de organizações trabalhando para combater a pobreza. Mas a efetividade dessas organizações está muito relacionada à leitura que elas têm do conceito de pobreza. Como a maioria delas são organizações ‘materialistas’, elas acham que todo o problema da África é físico. E que a solução também é física”, disse Saulo.

“Mas quando temos uma perspectiva do Reino, começamos a ver que antes de toda a miséria africana que enxergamos nas ruas, a África foi criada para ser um continente muito abençoado”, destaca o missionário.

Saulo não desconsidera a realidade da pobreza material e a necessidade de ser combatida, mas expressa um pensamento onde tratar a condição de miséria espiritual dos africanos é o maior foco missionário, visto que a própria realidade social do continente também reflete a qualidade do relacionamento do seu povo com Deus.

“Por serem dignos, nós ocidentais não podemos tratá-los como se eles fossem inferiores, coitadinhos, ou eternamente condenados à pobreza. Precisamos justamente promover essa ideia de que o africano não precisa depender do Ocidente; ele tem que aprender a depender de Deus”, conclui o missionário.

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